Os debates sobre uso de IA em jogos seguem acalorados, mas, na visão de um ex-alto funcionário da Square Enix, a discussão já ficou para trás. Jacob Navok, que atuou como diretor na editora japonesa, publicou um longo texto defendendo que o público mais jovem abraçou a tecnologia sem reservas.
Segundo o executivo, o sucesso explosivo de Steal a Brainrot, título disponível no Roblox, mostra que até produções recheadas de conteúdo gerado automaticamente podem dominar as paradas. Para ele, isso prova que a indústria alcançou um ponto sem retorno.
Uso de IA em jogos não afasta novos jogadores
Navok aponta que Steal a Brainrot alcançou 30 milhões de usuários simultâneos, número cerca de 80 vezes maior que o registrado por ARC Raiders, shooter cooperativo recém-lançado. O game, descrito como “AI slop” — expressão usada para conteúdo de qualidade duvidosa criado por algoritmos —, tornou-se o maior sucesso do ano na plataforma.
O executivo atribui a recepção positiva à Geração Z, mas, tecnicamente, grande parte dos usuários do Roblox pertence à Geração Alpha, nascida a partir de 2010. Mesmo assim, ele sustenta que o público mais jovem “não liga” para a procedência do material contanto que o jogo entregue diversão imediata.
Para a audiência do OrdemGeek, a mensagem é clara: mecânicas inovadoras e forte apelo social parecem pesar mais do que a origem de personagens, cenários ou vozes criados por modelos de linguagem. Essa constatação pode influenciar estratégias de estúdios que hesitam em adotar a tecnologia.
IA sai dos laboratórios e vira rotina nos estúdios
Em sua publicação, Navok afirma que será “difícil encontrar um jogo AA ou AAA” sem algum componente de inteligência artificial nos próximos anos. Ele revela que várias equipes já utilizam a plataforma Claude para gerar trechos de código, enquanto ferramentas de imagem aceleram a fase de conceito visual.
Imagem: Divulgação
O ex-diretor lembra ainda que arte e dublagem criadas via IA representam apenas a superfície: processos de controle de qualidade, análise de dados e personalização de conteúdo também caminham para a automatização. Sua previsão ecoa o plano da própria Square Enix, que pretende delegar até 70% do QA às máquinas.
Programação e arte conceitual no automático
Dentro dessa tendência, scripts de gameplay são montados em minutos com suporte de LLMs, reduzindo custos e encurtando ciclos de produção. Além disso, geradores de imagem vêm substituindo mood boards tradicionais por artes conceituais prontas para modelagem 3D.
Embora parte da comunidade tema padronização visual, Navok alega que o ritmo de entrega pesa mais para publishers que buscam lançamentos constantes. Para ele, a pressão por novidades vai consolidar a IA como coluna vertebral do desenvolvimento, seja em projetos independentes ou em grandes franquias.
No fim das contas, o executivo acredita que a questão deixou de ser “se” a IA deve ser usada e passou a ser “como” tornar o processo mais eficiente — algo que, a julgar pelos números recentes, encontra pouca resistência entre jogadores mais jovens.
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