James Cameron voltou a demonstrar preocupação com a parceria em discussão entre Netflix e Warner Bros. O cineasta acredita que o eventual acordo pode encolher o tempo que filmes ficam nas salas e, por tabela, ameaçar a experiência coletiva do cinema.
Enquanto promove Avatar: Fogo e Cinza, que estreia em 17 de dezembro, Cameron afirmou ao Deadline que não vê o streaming como substituto completo da telona. Para ele, o público precisa das duas opções — mas sem que uma atropele a outra.
James Cameron critica redução da janela de exibição
No centro do debate está o período em que um lançamento permanece exclusivamente nos cinemas. Hoje, produções da Warner Bros. contam com cerca de 45 dias antes de chegar ao digital. Cameron teme que, nas mãos da Netflix, essa janela recue para apenas 17 dias, prática já adotada pela gigante do streaming em alguns títulos para cumprir exigências do Oscar.
O diretor classifica a ida ao cinema como “sagrada” e diz que o fácil acesso ao streaming não substitui a imersão da sala escura. Em suas palavras, as empresas não podem simplesmente atropelar os exibidores para privilegiar o vídeo sob demanda.
Para o criador de Avatar, a própria Netflix pode rever a estratégia se passar a depender do circuito exibidor. “Quando tiver responsabilidade pela sobrevivência dos cinemas, talvez mude de postura”, comentou, reforçando que a tela grande precisa continuar no centro do negócio.
Risco de mercado menos competitivo
Caso o acordo avance, a Netflix se tornará uma das maiores fornecedoras de conteúdo num cenário com menos concorrência. Cameron alerta que isso dá poder suficiente para redefinir prazos de exibição e, consequentemente, afetar bilheterias globais.
Imagem: Bruno Galvão
Ele argumenta que, sem bilheteria robusta, projetos de grande orçamento podem minguar, reduzindo a diversidade de filmes de alto impacto visual — algo que preocupa fãs de franquias como Avatar.
A estreia de Avatar: Fogo e Cinza reforça o apelo pelas salas
Cameron aproveita o lançamento de seu novo capítulo em Pandora para ilustrar a importância do cinema. Segundo ele, Fogo e Cinza foi concebido para ser visto em tela gigante, com som de última geração e público compartilhando reações. “Streaming não entrega isso”, declarou.
O diretor defende que o mercado se ajuste para equilibrar conveniência e espetáculo. Até lá, promete “continuar na linha de frente” para proteger a janela de 45 dias — tempo que considera mínimo para que um filme encontre todas as audiências nos cinemas.
No fim das contas, a discussão coloca em xeque o futuro da experiência cinematográfica, tema que o OrdemGeek seguirá acompanhando de perto.
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